Infectados no mundo: 335 mil+
Mortos no mundo: 14 mil +
Infectados no Brasil: 1900+
Mortos no Brasil: 34
Hoje o dia foi pior. Foi triste, chuvoso e pouco esperançoso.
Ontem minha irmã teve uma crise de ansiedade. É enfermeira.
Meu companheiro estava menos triste, aparentemente.
Recebemos nossas sobrinhas, elas nos fazem esquecer de tudo.
Foi o último dia com elas antes da reclusão total.
Foram embora, deixaram a casa vazia.
Foi a primeira vez que chorei desde então.
Voltei para a casa dos meus pais, eles precisam de mim.
Ficarei longe do meu companheiro.
Vai ser foda!
P.S.: Percebi agora que coloquei os títulos das postagens com a data de 2019. Não vou mudar.
Sempre tive esse leg, meus cadernos sempre tinham metade das folhas com a data do ano anterior.
segunda-feira, 23 de março de 2020
sábado, 21 de março de 2020
21.03.2019
Infectados no mundo: 260 mil +
Mortos no mundo: 10 mil +
Infectados no Brasil: 1000+
Mortos no Brasil: 17+
Hoje o dia foi estranho. A maldita normalidade...
Parece que tudo ainda é um sonho.As coisas parecem menos piores do que são.
Acordei tarde, meio triste, meio sem sentir. O meu companheiro não sorriu. Temos sorrido menos um para o outro.
Não saí de casa, nem para ver a rua.
Brinquei com a cachorrinha, Bela, o nome dela.
Almocei. Recebi minhas sobrinhas.
Elas não percebem nada do que tem acontecido. Talvez nunca se lembrem. É o que espero.
Tenho feito planos, sem a certeza de que poderei cumpri-los.
Quero manter uma rotina. Estou lutando por isso.
P.S.: Meu coração continua apertado.
Tenho a sensação que não respiro direito.
Sigamos!
Mortos no mundo: 10 mil +
Infectados no Brasil: 1000+
Mortos no Brasil: 17+
Hoje o dia foi estranho. A maldita normalidade...
Parece que tudo ainda é um sonho.As coisas parecem menos piores do que são.
Acordei tarde, meio triste, meio sem sentir. O meu companheiro não sorriu. Temos sorrido menos um para o outro.
Não saí de casa, nem para ver a rua.
Brinquei com a cachorrinha, Bela, o nome dela.
Almocei. Recebi minhas sobrinhas.
Elas não percebem nada do que tem acontecido. Talvez nunca se lembrem. É o que espero.
Tenho feito planos, sem a certeza de que poderei cumpri-los.
Quero manter uma rotina. Estou lutando por isso.
P.S.: Meu coração continua apertado.
Tenho a sensação que não respiro direito.
Sigamos!
O início
Em meados de dezembro de 2019, sem que o mundo nem mesmo desconfiasse, supostamente um morcego ou uma coincidência dessas que só existem na literatura, deu/deram início a um 2020 que seria marcado por uma mudança global. Enquanto chineses morriam e se perguntavam o porquê, nós aqui festejávamos o fim do pior ano da década (até aquele momento).
Diferente do que muitos filmes previam, o mundo não parou por um colapso zumbi, mas por uma doença que mais parece uma gripe e age tão sorrateira que seu maior risco é a falta de sintomas.
Em janeiro de 2020, o mundo olhava de camarote o desespero da gigante China, enquanto pensávamos que nada chegaria aqui. Logo, o desespero se alastrou aos seus vizinhos, todos orientais. Parecíamos imunes. Tudo parecia um sonho.
Em fevereiro a Europa adoeceu e mais do que qualquer país, a Itália parecia respirar por aparelhos. Enquanto a China aprendia a lidar com os sintomas, isolava a população e exercia seu absoluto controle político; os italianos compreenderam o processo como férias adiantadas, um ótimo motivo para se beber com os amigos.
Logo depois, alguns casos isolados apareceram aqui e ali e, de repente, a Itália estava lidando com quase mil mortes por dia. Uma população amplamente idosa não tinha muita munição para aquela "gripezinha".
Em março o mundo parou. Bolsas caíram. Dólar foi a 5 reais. A marola chegou como um tsunami aqui.
Tivemos a mesma resposta que a Itália. Férias. Praia. Bares.
Em menos de 1 mês, mais de 1000 infectados confirmados. 17 mortos.
De uma lado, o governo federal diz que é pânico coletivo, de outro, os profissionais da saúde imploram por uma quarentena real.
Aqui sempre faltou de tudo. Continua faltando.
A falta criou raízes. Não tem máscaras, luvas, papel toalha, álcool, quarentena.
As pessoas se sentem imunes.
E estamos aqui, tentando manter a sanidade.
Proponho esse blog como um diário do meu processo de quarentena. Longe de amores e amigos.
Seremos nós, nessa rede que afasta e une.
Humanizados pela desumanização da tecnologia.
Sigamos.
Bem-vindos!
Carolina Cadima
Diferente do que muitos filmes previam, o mundo não parou por um colapso zumbi, mas por uma doença que mais parece uma gripe e age tão sorrateira que seu maior risco é a falta de sintomas.
Em janeiro de 2020, o mundo olhava de camarote o desespero da gigante China, enquanto pensávamos que nada chegaria aqui. Logo, o desespero se alastrou aos seus vizinhos, todos orientais. Parecíamos imunes. Tudo parecia um sonho.
Em fevereiro a Europa adoeceu e mais do que qualquer país, a Itália parecia respirar por aparelhos. Enquanto a China aprendia a lidar com os sintomas, isolava a população e exercia seu absoluto controle político; os italianos compreenderam o processo como férias adiantadas, um ótimo motivo para se beber com os amigos.
Logo depois, alguns casos isolados apareceram aqui e ali e, de repente, a Itália estava lidando com quase mil mortes por dia. Uma população amplamente idosa não tinha muita munição para aquela "gripezinha".
Em março o mundo parou. Bolsas caíram. Dólar foi a 5 reais. A marola chegou como um tsunami aqui.
Tivemos a mesma resposta que a Itália. Férias. Praia. Bares.
Em menos de 1 mês, mais de 1000 infectados confirmados. 17 mortos.
De uma lado, o governo federal diz que é pânico coletivo, de outro, os profissionais da saúde imploram por uma quarentena real.
Aqui sempre faltou de tudo. Continua faltando.
A falta criou raízes. Não tem máscaras, luvas, papel toalha, álcool, quarentena.
As pessoas se sentem imunes.
E estamos aqui, tentando manter a sanidade.
Proponho esse blog como um diário do meu processo de quarentena. Longe de amores e amigos.
Seremos nós, nessa rede que afasta e une.
Humanizados pela desumanização da tecnologia.
Sigamos.
Bem-vindos!
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