terça-feira, 14 de abril de 2020

14.04.2020

Hoje vou falar sobre várias coisas...

Primeiro, a saudade de quando escrevia tem me atentado ainda mais nos últimos dias. Recebi um em-mail de uma grande amiga, com a proposta de fazer uma corrente de poemas e escritos em geral.
Ontem mandei o poema que escolhi, fiquei entre dois. Um deles era tão triste que preferi fazer um favor ao meu destinatário e não mandá-lo.
Resolvi, então, mandar um do Paulo Leminski. A minha relação com esse poeta é meio dúbia, gosto muito de algumas coisas, gosto pouco de outras. Mas alguns poemas salvam dias. Também gosto do fato de quase nenhum ter título. Não gosto muito de títulos. No período do ensino médio, por várias vezes, perdi alguns pontos por esquecer de colocar ou criar um título. Não gosto de títulos.
Falando do que gosto, quero voltar a ler literatura, mas tudo parece difícil. tenho lido Antropologia, em doses muito homeopáticas, mas não tem sido prazeroso. Gosto mais de escrever do que ler antropologia. Enfim... uma coisa não existe sem a outra.
Mas sobre querer voltar a ler, ontem me lembrei de um dos meus livros preferidos, - e, sim, tudo é culpa da bendita corrente de poemas - "Antes do Baile Verde", da Lígia Fagundes Teles. Esse livro mudou a minha vida e não porque passa uma grande mensagem, mas porque a escrita é revolucionária. Feminina e forte. Sem romances ou reviravoltas. É duro e poético, sem ser poesia em versos e estrofes. São contos. Vários deles.
Uma certa vez, escrevi um breve conto (bem bobinho) sobre uma das frases de um dos seus contos "e abriu-se num leque o baralho murmurejante". Como uma frase pode te tirar do eixo sem ser, necessariamente, uma frase com um sentido filosófico ou sei lá o quê?
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Hoje o dia está estranho, sufocante e prazeroso. Ele me faz sentir uma saudade de não do que e não de onde. Uma vontade de estar em casa em uma situação comum... eu não sei... eu não sei... eu não sei...
É o que mais tenho dito.
Em pleno abril, o tempo está frio, garoando e fechado. É meu clima preferido. Mas ele me traz tanta saudade...
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Hoje a minha irmã relatou estar sentido alguns sintomas, como um pigarro... estamos num caos de medo e dúvidas. Ela trabalha como enfermeira em uma uti e já atendeu alguns casos da doença. Teve contatos.
Hoje ela nos comprou máscaras. Finjo não ter medo. Mas as vezes o medo é tão grande que gostaria de não estar aqui.
Eu não tenho medo da doença em mim, mas tenho medo dos outros e de tudo que pode acontecer.

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Nada do que escrevo parece fazer muito sentido.
Caso alguém me escute nesse vácuo virtual, me mande um olá.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

06.04.2020

Tenho me adaptado a tudo isso. Não é uma adaptação estilo: ok, posso viver assim.
Mas está mais para um: "ok, sobreviverei"
Tenho me sentido carente de toque, de carinho.
E isso tudo me transporta para uma fase da minha vida que foi ótima e péssima... a minha adolescência.
A sensação de carência, misturada com uma sensação de estômago embrulhado de que alguma coisa vai acontecer, boa ou ruim, as vezes a gente só quer que aconteça algo.
Daí me lembro de experiências e pessoas e lugares e cheiros... e uma saudade das lembranças que nem sei se vivi vêm à tona, tão cortantes.
Talvez aquela ânsia por viver e por aventuras, seja quais forem.

Eu me lembrei de quando tinha um antigo blog, onde postava algumas crônicas que escrevia, e tudo que postava parecia ser endereçado para alguém. Esse alguém não existia na realidade, mas era uma possibilidade de me aventurar em algum lugar, de algum modo.

Acho que hoje estou um pouco mais reflexiva.
Tenho escutado a mesma música várias e várias vezes, uma música que não tem nada demais, mas marca um período que não me lembro se foi realmente bom, mas em que eu gostava de mim.
The Reason - Hoobstank

Nessa época, quando me sentia sufocada, ou escrevia, ou saía sem rumo pela cidade, andando por horas, sem nenhum objetivo. Isso me fazia bem, sinto saudade, quero fazer de novo.

O que está acontecendo com a gente?




sexta-feira, 3 de abril de 2020

03.04.2020

Isso aqui deveria ser um diário. Mas para variar, não consegui mantê-lo.
Tenho me afastado das notícias, me embrenhado no trabalho e em seriados orientais adolescentes.
Talvez meu isolamento seja baseado em fugir de mim também.
As vezes coloco os pés no chão com uma vídeo-chamada de amigos ou com acontecimentos que estão para além do meu controle.
Ontem uma amiga perdeu um ente querido, não foi para o vírus, mas por outras razões.
Não pude abraçá-la.
Sonhei que meu pai tinha morrido e que não pude me despedir.
O medo do afastamento tem me engolido.
E expressões como: "quando voltar ao normal" tem sido comuns.
Voltaremos ao normal?
Não sei.

Espero que não.

Espero que sim.

Quero voltar a ler.

Alguma sugestão?

Nesse vazio aqui, alguém me lê?