Hoje vou falar sobre várias coisas...
Primeiro, a saudade de quando escrevia tem me atentado ainda mais nos últimos dias. Recebi um em-mail de uma grande amiga, com a proposta de fazer uma corrente de poemas e escritos em geral.
Ontem mandei o poema que escolhi, fiquei entre dois. Um deles era tão triste que preferi fazer um favor ao meu destinatário e não mandá-lo.
Resolvi, então, mandar um do Paulo Leminski. A minha relação com esse poeta é meio dúbia, gosto muito de algumas coisas, gosto pouco de outras. Mas alguns poemas salvam dias. Também gosto do fato de quase nenhum ter título. Não gosto muito de títulos. No período do ensino médio, por várias vezes, perdi alguns pontos por esquecer de colocar ou criar um título. Não gosto de títulos.
Falando do que gosto, quero voltar a ler literatura, mas tudo parece difícil. tenho lido Antropologia, em doses muito homeopáticas, mas não tem sido prazeroso. Gosto mais de escrever do que ler antropologia. Enfim... uma coisa não existe sem a outra.
Mas sobre querer voltar a ler, ontem me lembrei de um dos meus livros preferidos, - e, sim, tudo é culpa da bendita corrente de poemas - "Antes do Baile Verde", da Lígia Fagundes Teles. Esse livro mudou a minha vida e não porque passa uma grande mensagem, mas porque a escrita é revolucionária. Feminina e forte. Sem romances ou reviravoltas. É duro e poético, sem ser poesia em versos e estrofes. São contos. Vários deles.
Uma certa vez, escrevi um breve conto (bem bobinho) sobre uma das frases de um dos seus contos "e abriu-se num leque o baralho murmurejante". Como uma frase pode te tirar do eixo sem ser, necessariamente, uma frase com um sentido filosófico ou sei lá o quê?
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Hoje o dia está estranho, sufocante e prazeroso. Ele me faz sentir uma saudade de não do que e não de onde. Uma vontade de estar em casa em uma situação comum... eu não sei... eu não sei... eu não sei...
É o que mais tenho dito.
Em pleno abril, o tempo está frio, garoando e fechado. É meu clima preferido. Mas ele me traz tanta saudade...
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Hoje a minha irmã relatou estar sentido alguns sintomas, como um pigarro... estamos num caos de medo e dúvidas. Ela trabalha como enfermeira em uma uti e já atendeu alguns casos da doença. Teve contatos.
Hoje ela nos comprou máscaras. Finjo não ter medo. Mas as vezes o medo é tão grande que gostaria de não estar aqui.
Eu não tenho medo da doença em mim, mas tenho medo dos outros e de tudo que pode acontecer.
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Nada do que escrevo parece fazer muito sentido.
Caso alguém me escute nesse vácuo virtual, me mande um olá.
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