sábado, 21 de março de 2020

O início

Em meados de dezembro de 2019, sem que o mundo nem mesmo desconfiasse, supostamente um morcego ou uma coincidência dessas que só existem na literatura, deu/deram início a um 2020 que seria marcado por uma mudança global. Enquanto chineses morriam e se perguntavam o porquê, nós aqui festejávamos o fim do pior ano da década (até aquele momento).
Diferente do que muitos filmes previam, o mundo não parou por um colapso zumbi, mas por uma doença que mais parece uma gripe e age tão sorrateira que seu maior risco é a falta de sintomas.
Em janeiro de 2020, o mundo olhava de camarote o desespero da gigante China, enquanto pensávamos que nada chegaria aqui. Logo, o desespero se alastrou aos seus vizinhos, todos orientais. Parecíamos imunes. Tudo parecia um sonho.
Em fevereiro a Europa adoeceu e mais do que qualquer país, a Itália parecia respirar por aparelhos. Enquanto a China aprendia a lidar com os sintomas, isolava a população e exercia seu absoluto controle político; os italianos compreenderam o processo como férias adiantadas, um ótimo motivo para se beber com os amigos.
Logo depois, alguns casos isolados apareceram aqui e ali e, de repente, a Itália estava lidando com quase mil mortes por dia. Uma população amplamente idosa não tinha muita munição para aquela "gripezinha".
Em março o mundo parou. Bolsas caíram. Dólar foi a 5 reais. A marola chegou como um tsunami aqui.
Tivemos a mesma resposta que a Itália. Férias. Praia. Bares.
Em menos de 1 mês, mais de 1000 infectados confirmados. 17 mortos.
De uma lado, o governo federal diz que é pânico coletivo, de outro, os profissionais da saúde imploram por uma quarentena real.
Aqui sempre faltou de tudo. Continua faltando.
A falta criou raízes. Não tem máscaras, luvas, papel toalha, álcool, quarentena.
As pessoas se sentem imunes.
E estamos aqui, tentando manter a sanidade.

Proponho esse blog como um diário do meu processo de quarentena. Longe de amores e amigos.
Seremos nós, nessa rede que afasta e une.
Humanizados pela desumanização da tecnologia.

Sigamos.

Bem-vindos!


Carolina Cadima

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